O Lugar Onde Tudo Termina, de Derek Cianfrance

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Por Rodrigo Grota

O filme indicado pela Kinoarte na programação do Cinesystem nessa semana continua a ser “O Lugar Onde Tudo Termina” (The Place Beyond the Pines), de Derek Cianfrance. Estrelado por Ryan Gosling, Bradley Cooper, Eva Mendes e Ray Liotta, o filme permanece em cartaz no Londrina Norte Shopping até a próxima quinta-feira, dia 25, em sessões diárias em DCP na Sala 6, às 21h55.

Apesar de o seu filme anterior, “Namorados Para Sempre” (Blue Valentine, 2010), ter atingido um grupo considerável de fãs, Derek Cianfrance ainda não é tão conhecido do público brasileiro. Influenciado pelo Cinema Americano dos anos 70, especialmente pelas narrativas densas e de apuro visual desse período, Cianfrance integra um grupo seleto de novos realizadores americanos que buscam se reaproximar de um cinema mais narrativo, se preocupando basicamente com a composição de personagens e a direção de atores – o filme é uma aventura emocional incomensurável, na qual a sensação de jornada existencial e expiação de culpa é elemento chave para mergulhar em seu universo.

Preocupado com a autenticidade daquilo que está na tela, Cianfrance, em filmes como Blue Valentine, chegou a pedir aos atores que vivessem por um mês antes na casa onde boa parte do filme foi rodada. Em The Place Beyond the Pines, temos uma retomada da figura trágica do anti-herói americano no personagem de Ryan Gosling – tudo o que ele faz, sonha, deseja irá esbarrar em algo muito maior que ele, uma espécie de inimigo invisível, uma predestinação ao desvio.

A fotografia do filme, impecável em seu tom expressivo, nos lembra o fato de que Cianfrance estudara na faculdade com um mestre do cinema independente americano – Stan Brakhage. A trilha sonora, sinuosa e onipresente, reforça a ausência de qualquer desfecho positivo para os personagens. A direção de arte, dividida nesse caso em duas épocas, é precisa em representar muito do aspecto moral dos personagens a partir de objetos e detalhes menores.

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O filme é certamente uma peça rara no Cinema Americano contemporâneo, tendo o mérito de apostar em uma narrativa mais densa, com tempos estendidos, em um tom que alguns podem considerar até dramático em excesso. Mas assim como Tetro, de Francis Ford Coppola, e The Yards (Caminhos sem Volta), de James Gray, The Place Beyond the Pines é um filme profundamente desiludido com a possibilidade de algum futuro minimamente prazeroso, integrando, dessa forma, uma fatia muito pequena e cada vez mais preciosa de filmes que se sobressaem à sua época e que podem ser chamados de clássicos já de forma instantânea – pois o seu aspecto de deslocamento, o seu tom operístico, a sua abordagem desproporcional – tudo o que de certa forma poderia fragilizá-lo é também sua força maior, sua singularidade mais expressiva e sua autenticidade quase intocável.

Eis um filme para ser visto e revisto daqui a um tempo sem as marcas daquilo que chamamos de contemporâneo. Um clássico.

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Esta entrada foi publicada em julho 19, 2013 às 12:17 pm e está arquivada sob sessão kinoarte, Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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